Mindfulness Trainings International ~ World class training for instructors of mindfulness

Recado para o que é ser um instrutor/professor (de mindfulness) 

por Tarchin Hearn 

 

Tecidas em qualquer assunto que ensinamos estão contidas atitudes e abordagens ocultas, incorporações de nossa vivência, que colorem tudo o que falamos e fazemos. Embora não tenhamos a intenção de agir assim, inevitavelmente ensinamos o que somos. Demonstramos a qualidade de ser (para aqueles que têm a sensibilidade de “ver”). Se nosso principal interesse é em reputação, admiração ou aceitação, nós moldamos os outros nesse formato. Se nos interessamos por dinheiro, poder e bens materiais, moldamos isso nos outros. Se nosso interesse e envolvimento são com amor, inclusividade, reverência, humildade e compaixão, isso é o que “ensinaremos”, não importa qual a maneira ou o assunto estudado, seja dharma, matemática, marcenaria ou culinária. Quando percebemos isso, “ensinar” (em termos de transmitir conhecimentos específicos) torna-se secundário, e a “qualidade de ser” torna-se o palco. Na verdade, nossa qualidade de ser é o palco e os atores, a plateia, o teatro e o mundo ecológico e cultural no qual e pelo qual ela se desenvolve. A nossa qualidade de ser, momento a momento, revela tudo.

 

Então, quais são os meus interesses, as minhas suposições, as minhas perguntas e a minha curiosidade, as minhas compreensões viscerais sobre a arte de viver? Quero imprimi-los nos outros?

 

Ensinando compartilhamos nossa abordagem da vida, revelada na profundidade e no escopo de nossa pergunta interior, o sabor particular de nossa curiosidade e o modo de tocar o desconhecido. Qual é a minha abordagem? O que estou realmente fazendo? Que “fazer” sou eu? Qual é a minha pergunta, a minha paixão, o meu deslumbramento? Respostas e soluções são passageiras e efêmeras, dependentes de tempo, lugar e contexto. Mas o sabor das minhas questões permeia minhas interações com tudo. Ele perfuma minhas percepções, concepções e compreensões. Alguns sabores de questionamento ou de exploração podem nos abrir de maneira que realce nossa dignidade, graça, praticidade aqui e agora e a sensação de presença expansiva. Outros podem nos estreitar, encolhendo e tencionando-nos enquanto, o tempo todo, verificamos se satisfazemos nossas expectativas, estejamos certos ou errados.

 

Algo do professor passa para o estudante, e, simultaneamente, algo do estudante passa para o professor. O Buddha chamou isso de transmissão que não é transmissão. Para aqueles que aspiram ensinar e para os que nunca consideraram estar no papel de professor – querendo ou não, estamos todos envolvidos –, por favor contemple isso e guarde no coração.

Com as melhores saudações a todos,

Tarchin Hearn 

 

 

 

Desenvolvimentos modernos: mindfulness “laico” 

 

A prática de mindfulness, como a conhecemos no mundo moderno, foi introduzida de forma não religiosa nos ambientes laicos, por muitos estudiosos e praticantes profundamente experientes em Buddha Dharma, isto é, nos ensinamentos do Buddha. Especialmente pelo Dr. Jon Kabat-Zinn que descreveu suas primeiras inspirações assim:

 

"Durante um retiro vipassana de duas semanas no Insight Meditation Society (IMS) em Barre, Massachusetts (USA), na primavera de 1979, enquanto meditava sentado em meu quarto, por volta do décimo dia do retiro, eu tive uma “visão” que durou talvez dez segundos. Na verdade, eu não sei como chamá-la, por isso chamei-a de visão. Ela era rica em detalhes e parecia mais um ver instantâneo e vívido de conexões e de suas implicações quase inevitáveis. Isso não apareceu como um devaneio ou um fluxo de pensamentos, mas como algo bem diferente, que, até hoje, eu não consigo explicar completamente e não sinto que seja necessário.

 

"Eu vi em um flash, não apenas um modelo que poderia ser usado, mas, também, as implicações a longo prazo do que poderia acontecer se a ideia básica fosse segura e pudesse ser implantada como um teste em um ambiente — ou seja, que ela iria criar novos campos de investigações científicas e clínicas, e que iria propagar-se em hospitais e em clínicas e centros médicos em todo o país e no mundo, e proporcionar sustento ético para milhares de praticantes."

- Jon Kabat-Zinn, fundador dos programas de mindfulness contemporâneos.

 

Referência: Some Reflections on the Origins of MBSR, Skilful Means, and the Trouble with Maps, Contemporary Buddhism, Vol. 12, No. 1, May 2011

 

 

 

Retiros residenciais em silêncio 

 

“Eu, pessoalmente, considero que sentar (meditando) periodicamente em retiros, orientados por um professor, relativamente longos (de pelo menos 7–10 dias e ocasionalmente mais longos) seja absolutamente necessário para desenvolver a nossa própria prática, a compreensão e a efetividade como professor. Em termos de currículo para o treinamento em mindfulness, para se tornar um professor MBSR, isso é um requerimento de laboratório (de pesquisa em si mesmo). Mas, por mais que participar em retiros longos periódicos seja necessário e extremamente importante para o nosso próprio desenvolvimento e compreensão, isso não é o suficiente. Mindfulness na vida cotidiana é o maior desafio e prática. Claro que os dois aspectos são complementares e mutualmente se reforçam e se aprofundam. E, novamente, podemos nos relembrar que, fundamentalmente, não existe separação entre eles, por que a própria vida é uma única.

 

“A prática de mindfulness é um compromisso para a vida. Crescimento, desenvolvimento e amadurecimento do praticante e professor de mindfulness são partes críticas do processo. Não é sempre sem dores. Como sabemos por experiência própria, autoconsciência pode nos fazer sentir extremamente humildes. Por isso, a motivação de perseverar e de encarar o que precisa ser encarado e de trabalhar com isso, sabia e compassivamente, precisa amadurecer, também, durante o processo. Isso nos traz para algumas das preocupações mais críticas relacionadas ao ensino de mindfulness em situações não-budistas e sobre os modelos mentais, ou mapas, que os instrutores de intervenções baseadas em mindfulness possam usar para se orientarem nessas situações.”

– Jon Kabat-Zinn 

 

Referência: Some Reflections on the Origins of MBSR, Skilful Means, and the Trouble With Maps, Contemporary Buddhism, Vol. 12, No. 1, May 2011

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